Infecção (persistente) pelo HPV é o principal fator de risco
O Instituto Nacional de Câncer (Inca) revela que o câncer de colo uterino é o terceiro tipo mais incidente entre mulheres. O Ministério da Saúde estima que para cada ano do triênio de 2023 a 2025, cerca de 17 mil mulheres serão diagnosticadas com a doença. Segundo a oncologista Maria Cristina Figueroa Magalhães (CRM-PR 22.643 e RQE 19.751), os fatores de risco para o desenvolvimento desse tipo de câncer incluem:
Atividade sexual precoce: iniciar a vida sexual em idade jovem pode aumentar a exposição ao HPV.
Múltiplos parceiros sexuais: aumenta a probabilidade de exposição ao HPV. Imunossupressão: condições que enfraquecem o sistema imunológico, como HIV/Aids, podem aumentar o risco.
Tabagismo: as substâncias tóxicas do cigarro podem contribuir para o desenvolvimento de câncer no colo do útero.
Histórico de ISTs: outras doenças sexualmente transmissíveis (como clamídia) também estão associadas a um risco maior.
Sintomas
A médica comenta que, nos estágios iniciais, o câncer de colo uterino pode ser assintomático. Mas à medida que a doença progride, os sintomas mais comuns são sangramento vaginal anormal, especialmente após a relação sexual, entre os períodos menstruais ou após a menopausa; corrimento vaginal anormal, que pode ser aquoso, rosado ou com odor desagradável; dor durante a relação sexual; dor pélvica ou lombar.
Maria Cristina lembra que esses sintomas podem ser causados por outras condições, sendo essencial consultar um profissional para avaliar e detectar possíveis alterações no colo uterino.
Tratamento
A especialista observa que depende do estágio da doença, da saúde geral da paciente e de outros fatores. As opções de tratamento englobam:
Cirurgia: em casos iniciais, a cirurgia pode ser suficiente para remover o tumor. Procedimentos comuns incluem a conização (remoção de uma parte do colo do útero) ou a histerectomia (remoção do útero).
Radioterapia: frequentemente usada em combinação com a quimioterapia, especialmente em estágios avançados.
Quimioterapia: é utilizada em conjunto com a radioterapia ou em casos de doença metastática, onde o câncer se espalhou para outras partes do corpo.
Terapia-alvo: em alguns casos, terapias específicas que direcionam características moleculares do tumor podem ser utilizadas.
Imunoterapia: tem desempenhado um importante papel na terapêutica de casos localmente avançados e quando há ocorrência de metástases.
A relação entre o câncer de colo uterino e o HPV
De acordo com a oncologista, a infecção persistente pelo papilomavírus humano (HPV) está intimamente relacionada ao desenvolvimento de câncer de colo de útero. Estima-se que o HPV seja responsável por 99% dos casos. Existem cerca de 200 diferentes tipos de HPV, mas os subtipos 16 e 18 são os mais frequentemente associados ao desenvolvimento deste câncer no Brasil. “A infecção persistente pelos tipos oncogênicos de HPV pode causar alterações nas células do colo do útero, levando ao desenvolvimento de lesões pré-cancerosas (neoplasias intracervicais) e, eventualmente, ao câncer de colo uterino”, aponta.
Vacina contra o HPV
Maria Cristina ressalta que a vacina contra o HPV é extremamente importante para reduzir a incidência de câncer de colo uterino, pois ela protege contra os tipos de HPV mais comumente associados ao desenvolvimento deste câncer, especialmente os tipos 16 e 18.

Conforme a médica, estudos demonstraram que a vacinação pode reduzir significativamente a incidência de lesões pré-cancerosas e, consequentemente, diminuir o risco de desenvolvimento de câncer de colo uterino. “A vacina é recomendada para meninas e meninos, preferencialmente antes do início da vida sexual, mas também pode ser administrada em pessoas até os 45 anos. Pela saúde pública, temos disponível a vacina quadrivalente para crianças entre 9 e 14 anos”, esclarece.
A importância do Papanicolau
A oncologista reforça que o exame de Papanicolau é fundamental na detecção precoce de alterações celulares no colo do útero que podem levar ao câncer, permitindo o tratamento das lesões antes que se tornem cancerosas, o que é crucial para prevenir a doença. A recomendação para a mulher fazer o exame varia entre os países, mas, em geral, deve começar aos 21 anos ou três anos após o início da vida sexual.
O Papanicolau deve ser feito anualmente. Em alguns casos, se a mulher tiver resultados normais consecutivos por alguns anos, o médico pode recomendar a realização a cada três anos. “No entanto, a frequência pode ser ajustada com base em fatores de risco individuais. Uma importante avaliação é a análise da positividade do HPV. Desta forma, conseguimos individualizar as pacientes de maior risco de desenvolvimento da doença”, explica.
Índices de cura
Maria Cristina afirma que, se o câncer de colo uterino é descoberto no início, as chances de cura são muito altas. Nos estágios iniciais, a taxa de cura pode ser superior a 90%. Isso destaca a importância dos exames preventivos regulares, como o Papanicolau, que podem detectar alterações precoces nas células do colo do útero antes que elas se transformem em câncer. A detecção precoce permite tratamentos menos invasivos e mais eficazes, aumentando significativamente as chances de cura. “O câncer de colo de útero é prevenível por diversas formas: primeiramente, o papel crucial da prevenção através da vacina; seguindo com inúmeras janelas de oportunidade, com a realização de exames preventivos regulares e, por último, aplicando o teste de detecção do HPV”, finaliza.
