Médica alerta que a terapia nutricional deve ser bem administrada, monitorada, personalizada e acompanhada por uma equipe multidisciplinar para garantir segurança e eficácia
Segundo a médica Ana Gabriela de Magalhães, pós-graduada em Medicina e Estilo de Vida, também especializada em terapia enteral e parenteral, a terapia nutricional constitui um conjunto de procedimentos terapêuticos que se utiliza da alimentação e nutrição para promover a saúde e gerenciar condições médicas. Isso inclui a avaliação do estado nutricional de uma pessoa e a criação de um plano alimentar personalizado que pode envolver mudanças na dieta, suplementação e, em alguns casos, o uso de fórmulas nutricionais específicas podendo ser administrada por meio de alimentação oral (dieta regular ou modificada), ou quando necessário, por meio de nutrição enteral (alimentação via tubo no trato gastrointestinal) ou nutrição parenteral (nutrição intravenosa).
Ana Gabriela comenta que a terapia nutricional é usada para prevenir e tratar uma variedade de condições, como desnutrição, principalmente hospitalar; doenças crônicas com complicações (diabetes, hipertensão, doença pulmonar obstrutiva crônica, doenças renais e cardiovasculares); pacientes oncológicos que apresentam alterações no estado nutricional devido à própria doença e aos tratamentos durante os períodos de recuperação de doenças, cirurgias, e, quando indicado, até mesmo preparo nutricional pré-operatório.
Dentre os principais benefícios, a especialista aponta a manutenção e recuperação do estado nutricional, ajudando a prevenir e tratar a desnutrição, naqueles pacientes que não conseguem ingerir nutrientes suficientes. “Uma nutrição correta é importante para um funcionamento adequado do sistema imunológico, ajudando a prevenir infecções e melhor a recuperação, além de uma melhora na qualidade de vida, aumento de energia, melhor tolerância a tratamentos e capacidade melhor de recuperação”, destaca.

A médica lembra que a terapia nutricional ajuda a reduzir complicações naqueles pacientes internados, reduzindo catabolismo — etapa degradativa do nosso metabolismo. Os carboidratos, nutrientes, proteínas, lipídios e toda a matéria orgânica ingerida são divididos em produtos menores e mais simples que se transformam em energia — e perda de massa muscular. Já em pacientes no pós-operatório ou em tratamento de lesões, uma nutrição adequada é fundamental para a cicatrização de feridas e recuperação.
A melhor via de terapia nutricional para o paciente
Conforme Ana Gabriela, a escolha da via de administração da terapia nutricional depende de vários fatores, incluindo a condição clínica do paciente, a função do trato gastrointestinal, as necessidades nutricionais específicas e o prognóstico geral. “A princípio, a via preferida sempre será a mais fisiológica (enteral ou oral) se o paciente conseguir. Caso o paciente não tenha condições, há a opção da terapia parenteral — a administração intravenosa de nutrientes diretamente na circulação venosa”, explica.
Além disso, a especialista enfatiza que a terapia nutricional é mais intra-hospitalar, usada em pacientes de CTI, oncológicos, cirúrgicos e em idosos internados.
Restrições
De acordo com a médica, dependendo do tipo de via alimentar, no caso da terapia enteral, pacientes com impossibilidade do trato gastrointestinal, como dificuldade mecânicas na progressão de dieta, por exemplo, obstrução intestinal, peristalse diminuída, isquemias intestinais, vômitos ou diarreia intratável, além de quadros de instabilidade hemodinâmica. Já na terapia parenteral, a contraindicação é para quem também sofre com a instabilidade hemodinâmica e o princípio básico, que seria o trato gastrointestinal funcionante, porque dessa forma tem indicação de terapia enteral.
