A síndrome do intestino irritável (SII) é uma condição gastrointestinal crônica que atinge o funcionamento do intestino grosso (cólon). A causa exata não é completamente compreendida, mas várias questões podem contribuir para o seu desenvolvimento, como sensibilidade visceral, distúrbios da flora intestinal e fatores psicológicos. Os sintomas podem variar de pessoa para pessoa, mas incluem dor abdominal ou desconforto (frequentemente aliviados após a evacuação); alterações nos hábitos intestinais (como constipação, diarreia ou uma combinação de ambos); sensação de inchaço ou distensão abdominal; gases excessivos; sensação de esvaziamento incompleto do intestino após evacuar; muco nas fezes.
Segundo José Wilson Andrade, vice-presidente da Associação Pan-Americana de Medicina Canabinoide, os pacientes precisam mudar a alimentação e o estilo de vida, além de fazer uso de medicamentos em fases mais intensas, que provocam muito desconforto. “O paciente pode passar longos períodos sem manifestações clínicas, mas o problema sempre pode retornar, tanto por distúrbios intestinais quanto por fatores emocionais”, aponta. Ainda de acordo com o médico, o professor Ethan Russo, um dos pesquisadores mais renomados na endocanabinologia, fez um estudo que define essa síndrome como uma deficiência clínica do sistema endocanabinoide.
Relação cérebro-intestino-cannabis medicinal
José Wilson explica que o sistema nervoso entérico, ou seja, a rede neuronal em nosso trato gastrointestinal é muito extensa, sendo chamada de segundo cérebro. Ele comenta que existe uma comunicação de duas vias entre o sistema nervoso entérico e o central. “O intestino pode provocar alterações no cérebro e vice-versa. Além disso, cerca de 70% das células do sistema imunológico estão no intestino. Como era de se esperar, receptores canabinoides também estão presentes nesta rede”, conta.
Os receptores CB1 e CB2 desempenham um papel importante na regulação das funções fisiológicas do intestino, incluindo a motilidade, secreção, integridade da barreira epitelial, proliferação de microbiota e processos inflamatórios.

O médico reforça que os canabinoides são grandes aliados no tratamento, pois auxiliam no controle dos sintomas citados, agindo também em distúrbios ansiosos e do sono, frequentemente presentes.
