Conforme a neurologista Ana Carolina Dias Gomes, o problema é um tipo menos comum de dor de cabeça, do grupo das cefaleias primárias (não é causada por nenhuma outra doença). No entanto, destaca-se por ser a mais dolorosa de todas.
“Quem sofre com ela, diz ser pior que crise renal, dor do parto e pode ser chamada de cefaleia suicida de tão intensa que é a dor”, conta a médica.
Sintomas
Dor só de um lado, ao redor ou atrás do olho, região da têmpora ou na testa, costumando piorar no inverno; crises repetidas, que acontecem em vários dias ou por semanas, geralmente num período específico do ano; costumam vir com sintomas de olho vermelho (no lado onde dói), suor e lacrimejamento de um lado do rosto, pálpebra caída, mudança na pupila ou coriza/entupimento nasal da parte afetada; ao contrário da enxaqueca, o paciente fica agitado durante a dor; a dor da cefaleia em salvas vem de repente, podendo durar alguns minutos a uma ou duas horas, pouco importando se o paciente tomou ou não remédio. É muito raro durar mais que isso; pode ser mais de característica noturna e ter hora marcada; o álcool tende a ser um gatilho para essa cefaleia.
Exames
Segundo Ana Carolina, as características peculiares fazem com que o diagnóstico clínico não seja tão difícil se o médico conhecer essa cefaleia. Ela aponta que parte dos neurologistas costumam pedir tomografia ou ressonância magnética. O objetivo desses exames é excluir a cefaleia secundária, seja devido a algum problema anatômico, como uma malformação vascular, um AVC, aneurisma, trombose cerebral ou tumor, mas a chance de ter alguma alteração é menor que 2%.

Tratamento
De acordo com a neurologista, na cefaleia em salvas, o tratamento é baseado primariamente no uso de medicamentos preventivos quando os pacientes começam a ter crises ou continuam dependendo da frequência das crises. “A dor é incapacitante. A resposta às medicações como analgésicos e anti-inflamatórios é muito ruim”, pontua.
Crise
Ana Carolina diz que uma boa parcela dos casos pode responder ao uso de inalação de oxigênio. O O2 sob máscara, com fluxo de 10-15 litros por minuto, pelo menos 20 minutos. “Se disponível, administrar sumatriptano SC, como segunda opção, sumatriptano nasal ou outro triptano oral”, explica. Já no tratamento com bloqueio de nervos, pode-se tentar injetar algumas substâncias, como anestésicos locais e corticoides, em nervos específicos.
