Especialista diz que muitas mulheres sofrem com essas dores desde quando iniciaram a vida sexual ou começaram a desenvolver após algum período específico da vida, e acabam normalizando e não buscando ajuda por falta de informação
A ginecologista Helena Lapa comenta que a dor durante a relação sexual, conhecida como dispareunia, pode ter diversas causas e vir associada a várias condições e problemas comuns às mulheres. Ela esclarece que a falta de libido e a dor na relação sexual são as queixas mais comuns nos consultórios médicos, trazendo impacto na qualidade de vida, na satisfação sexual e no relacionamento conjugal. “A mulher que sofre disso se sente impotente, com baixa autoestima, acha que nunca mais poderá ter a vida sexual normal como antes, mas a parte boa é que já existem muitos tratamentos disponíveis”, aponta.
Causas
A médica lista algumas causas do problema que incluem além dos cistos ovarianos, endometriose, doença inflamatória pélvica (DIP), falta de comunicação e intimidade com o parceiro, história de abuso sexual ou traumas, miomas uterinos e vaginismo, outras questões como:
Infecções vaginais: candidíase ou vaginose bacteriana causam irritação, coceira e dor.
Menopausa e atrofia vaginal: devido à diminuição dos níveis de estrogênio, ocorre secura vaginal, diminuição da elasticidade e tônus vaginal e, por consequência, o aumento da dor.
Desequilíbrio hormonal: baixos níveis de estrogênio, como na menopausa, no pós-parto ou em mulheres que amamentam, podem levar à falta de lubrificação natural. Além disso, a testosterona também desempenha um papel importante na libido feminina, e níveis baixos podem reduzir o desejo sexual.
Uso de medicamentos: antidepressivos, antihistamínicos e anticoncepcionais hormonais podem diminuir o desejo sexual, a lubrificação vaginal e a excitação.
Lesões pós-parto: lacerações, episiotomias ou cicatrizes no canal vaginal podem causar fibroses e aderências.
Ansiedade e estresse: as duas podem causar tensão muscular e falta de relaxamento durante o sexo, além de interferir na lubrificação vaginal.
Depressão: pode causar um desejo sexual diminuído e falta de lubrificação.
Problemas no relacionamento: conflitos, falta de comunicação, insatisfação com o parceiro, ausência de intimidade.
Alterações no assoalho pélvico: a fraqueza ou hiperatividade dos músculos pélvicos.
Tabus e falta de educação sexual: mitos em torno da sexualidade, transmitidos culturalmente ou por educação sexual inadequada, podem gerar culpa, vergonha ou inibição durante a relação sexual.
Pressões sociais: expectativas irreais sobre desempenho sexual, tanto para homens quanto para mulheres, podem criar ansiedade de desempenho.
Conflitos relacionados à orientação sexual: a repressão ou negação da orientação sexual.
Conhecimento insuficiente sobre o próprio corpo: o desconhecimento sobre zonas erógenas, preferências e necessidades sexuais pode limitar a capacidade de obter prazer.
Falta de preliminares ou tempo adequado para excitação: a ausência de estímulo sexual suficiente, como carícias, beijos e outras formas de intimidade, pode resultar em uma resposta sexual insatisfatória. A mulher, fisiologicamente, demora mais tempo para atingir a excitação sexual comparada ao homem, e por isso é importante as preliminares para haver uma melhor sincronia entre ambos.
Imagem corporal negativa: insatisfações com o próprio corpo ou baixa autoestima.
“Se a dor durante a relação sexual estiver prejudicando sua qualidade de vida e afetando no relacionamento conjugal, é importante procurar auxílio o quanto antes. Quanto mais insistir na dor e desconforto, maior o trauma e as dificuldades no tratamento, pois a dor vai gerando cada vez mais dor, a mulher começa a ter aversão ao sexo e a evitar contato com o parceiro”, alerta.

Tratamento
Segundo a especialista, o tratamento depende da causa subjacente (condições ginecológicas associadas), pois o objetivo é aliviar o desconforto e melhorar a qualidade de vida sexual. Ela reforça que o tratamento geralmente é multidisciplinar, com a combinação de diferentes abordagens terapêuticas e de profissionais de saúde (médico, terapeuta sexual, psicólogo, fisioterapeuta).
O acompanhamento regular é fundamental para ajustar o tratamento. A comunicação com o parceiro sobre o que será feito é primordial para o sucesso do tratamento. Aqui estão as principais orientações:
Secura vaginal: uso de lubrificantes e hidratantes vaginais, ácido hialurônico, laserterapia e reposição hormonal podem ajudar em casos de secura persistente.
Desequilíbrios hormonais: se a dor for causada por alterações hormonais, como na menopausa, após o parto, ou uso de anticoncepcionais hormonais de longa data, a terapia hormonal pode ser recomendada. Isso inclui estrogênio vaginal e terapia de reposição hormonal sistêmica.
Ansiedade, depressão ou histórico de abuso sexual: se a dor tiver um componente psicológica, a psicoterapia pode ser uma parte importante do tratamento.
Educação sexual: o aprendizado sobre anatomia e resposta sexual pode ajudar a reduzir o medo ou a ansiedade relacionados à dor e ao sexo.
Comunicação com o parceiro: conversar sobre os limites, desconfortos e preferências sexuais pode melhorar a experiência sexual e reduzir a pressão durante o ato.
Exercício físico regular: melhora a circulação, o tônus muscular, a regulação hormonal e a sensação de bem-estar.
Fisioterapia do assoalho pélvico e exercícios de Kegel: ajuda a melhorar o controle muscular e aliviar a dor relacionada à contração involuntária (como no vaginismo) ou à fraqueza muscular.
Terapia sexual: pode ajudar a melhorar a comunicação com o parceiro e reduzir a ansiedade de desempenho, além de fornecer técnicas para melhorar o conforto e o prazer durante a relação sexual.
