Doença acomete mais mulheres; o principal exame para identificar o problema é a densitometria óssea
O Ministério da Saúde afirma que a osteoporose se caracteriza pela perda progressiva de massa óssea, tornando os ossos enfraquecidos e predispostos a fraturas. A entidade aponta que, no Brasil, estatísticas da Organização Mundial da Saúde (OMS) dizem que o problema atinge 15 milhões de pessoas — apenas 20% sabem ter a doença que provoca 200 mil mortes por ano no país. Cerca de 50% das mulheres e 20% dos homens com 50 anos ou mais sofrerão uma fratura osteoporótica —. Já a International Osteoporosis Foundation (IOF) estima que mais de 500 milhões de indivíduos são afetados pela osteoporose.
Segundo o médico José Wilson Andrade, vice-presidente da Associação Pan-Americana de Medicina Canabinoide, a doença é silenciosa até a ocorrência de uma fratura e pode ter consequências graves quando não tratada. “O osso é um tecido vivo. Nosso corpo absorve e repõe as células deste tecido constantemente (turnover ósseo). O processo ocorre com a ação dos osteoclastos, células que reabsorvem o tecido ósseo, e os osteoblastos que repõem este tecido”, explica.
Esse processo é controlado por diversos fatores, como a adequada produção de hormônios sexuais e tireoidianos, estímulos mecânicos resultantes de atividade física, nutrição adequada, com atenção para a vitamina D, cálcio e exposição solar. José Wilson lembra que na menopausa, o desbalanço hormonal faz com que as mulheres sejam suscetíveis à perda de massa óssea, a osteopenia, e em casos mais avançados, a osteoporose. Ele reforça que o enfraquecimento do tecido ósseo predispõe os pacientes a fraturas, principalmente na coluna lombar e quadris. Além dos fatores citados, o álcool, tabagismo, cafeína e sal podem contribuir para o aparecimento da doença.
Cannabis Medicinal
De acordo com o médico, a expressão de receptores canabinoides é abundante no tecido ósseo, e os receptores CB2, CB1 e TRPV1 têm importância no processo de remodelação. José Wilson esclarece que o CB2 inibe a reabsorção óssea e estimula a formação, enquanto CB1 e TRPV1 fazem o contrário. “É necessário um balanço adequado da atividade deste processo para a saúde do osso. Diversos estudos pré-clínicos e clínicos já demonstraram a importância do sistema endocanabinoide na modulação do turnover ósseo. Um estudo recente, com mulheres na pós-menopausa e osteopenia, usando de 100 a 300 mg ao dia de CBD, apresentou queda significativa de todos os marcadores laboratoriais de remodelação óssea”, pontua.

O especialista ressalta que, em breve, estudos mais robustos vão comprovar a eficácia dos fitocanabinoides na prevenção e tratamento da osteoporose. No entanto, ele destaca que a atividade física, reposição hormonal e uma boa nutrição continuam sendo as medidas mais simples para prevenir a doença.
