Especialista aponta que a pessoa com compulsão alimentar muitas vezes tem vergonha da quantidade de alimento consumido, passando a se alimentar sozinha
A psiquiatra Amanda Cavalcante (CRM-RJ 8807 e RQE 4670), explica que a compulsão alimentar é marcada pelo consumo desgovernado de alimentos, pois a pessoa se alimenta abundantemente de comida em um curto período. Segundo a médica, os fatores de risco para o indivíduo poder desenvolver o transtorno da compulsão alimentar, incluem ter outra pessoa na família com esse problema (predisposição genética), dietas muito restritivas, distúrbios da imagem, níveis altos de estresse, alteração clínica que afete os sistemas reguladores do apetite e a saciedade.
Como lembra Amanda, a pessoa precisa ficar alerta se perceber que está comendo até se sentir desconfortavelmente “cheia”, ou quando, mesmo sem fome, ingere excesso de alimento, sentindo-se culpada e triste após se alimentar.
Diagnóstico
De acordo com a psiquiatra, para ser enquadrado como transtorno de compulsão alimentar periódico, a pessoa precisa apresentar episódios de compulsão pelo menos uma vez por semana nos últimos três meses. Além disso, é avaliado se ela come mais rápido do que o normal, se come até se sentir excessivamente “cheia”, se come demais mesmo se não houver fome, se come sozinha por ter vergonha da quantidade ingerida ou se tem episódio de desgosto, depressão ou culpa após o episódio de compulsão.
Tratamento
A especialista reforça que o tratamento, nesses casos, necessita ser multidisciplinar, englobando psicólogo, nutricionista e algumas especialidades médicas, como endocrinologia, cardiologia e psiquiatria, dependendo de cada caso.

Amanda esclarece que o psiquiatra é um profissional que irá buscar a causa deste transtorno, avaliando a possível associação a outro transtorno psiquiátrico (ansiedade ou de humor). “O psiquiatra irá avaliar a necessidade de um tratamento medicamentoso e ajustar a melhor medicação, caso seja necessária, considerando a individualidade”, pontua.
Emoções
Conforme a médica, as emoções influenciam a nossa relação com a comida e o corpo, porque, geralmente, quem está com instabilidade de humor aumenta ou diminui o apetite. Ela salienta que a ligação entre cérebro e estômago causa algumas alterações hormonais e emocionais que podem desajustar o apetite. Por isso, a pessoa com depressão e ansiedade pode ter episódios de compulsão alimentar associados.
A psiquiatra comenta que o transtorno alimentar pode vir por meio de um mecanismo de compensação. O cérebro pode “enganar” a mente de tal forma que, por exemplo, se a pessoa teve um dia frustrante, o mecanismo de comer descontroladamente se tornaria uma compensação — no momento em que o indivíduo está se alimentando daquela forma, há uma melhora da tensão. “No entanto, logo após, vem o sentimento de angústia por realizar tal ato, podendo se tornar um círculo vicioso, levando a pessoa a ter uma sensação de que não tem controle sobre o que está acontecendo”, argumenta.
Público feminino é mais afetado
Amanda revela que o transtorno alimentar atinge, em média, nove mulheres a cada um homem. A especialista esclarece que isso se deve ao padrão que a sociedade impõe sobre a mulher, levando com que elas busquem cada vez mais o “corpo perfeito”, fazendo dietas restritivas para atingir o objetivo.
