Oncologista reforça que não existe idade certa para o tumor aparecer
Estimativas feitas pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca) mostram que o Brasil deve registrar 45 mil novos casos de câncer de intestino ao ano, no triênio compreendido entre 2023 e 2025. Chama a atenção que 70% estarão concentrados nas regiões Sudeste e Sul. Desses casos, cerca de 23.660 devem ser diagnosticados nas mulheres e 21.970 nos homens.
A oncologista Patricia Câmara (CRM-SC 13.909 e RQE 10.756) diz que o sintoma mais comum é a alteração do hábito intestinal (constipação ou diarreia). Se essa mudança permanecer por mais de uma/duas semanas, é importante ficar alerta. Sangramento, muco e catarro nas fezes, e toda anemia que o paciente apresentar são sinais que precisam ser investigados. Há outros sintomas menos específicos, mas que necessitam de atenção, como dor abdominal, cólica, perda de peso, líquido dentro do abdômen ao fazer exame físico, presença de massa abdominal palpável, enjoos, vômitos, perda de apetite, sensação de estufamento do abdômen e dor ao evacuar.
A alimentação pobre em frutas, verduras e fibras, mas rica em gordura animal, carne vermelha, multiprocessados, embutidos e conservantes é um fator de risco levantado pela especialista, além do tabagismo, que aumenta a chance de desenvolvimento do câncer, assim como o consumo excessivo de álcool. “Os pacientes com algum problema intestinal crônico, principalmente doença de Crohn ou retocolite ulcerativa, têm um risco aumentado de câncer de intestino, por ter lesões aparecendo e tendo que ser cicatrizadas o tempo todo. Isso aumenta a divisão celular e o risco de erro nas divisões celulares que inicia a doença”, aponta. Conforme o Ministério da Saúde, a colonoscopia deve ser feita entre 45 e 50 anos. Trata-se de um exame de rastreio fundamental que auxilia tanto no diagnóstico precoce, como na detecção de lesões pré-malignas no intestino. Segundo a oncologista, a doença é comum em pacientes mais velhos, geralmente acima de 50 anos, sedentários e obesos. No entanto, a médica relata que cada vez mais pacientes jovens são diagnosticados com câncer de intestino, principalmente os ligados a mutações genéticas.
Genética
Como afirma Patricia, pessoas que têm familiares com câncer de intestino, e se algum foi diagnosticado antes dos 50 anos, é preciso ficar atento, porque pode haver mutação genética que causa a síndrome familiar. Uma delas é a síndrome de Lynch, que envolve vários tipos de tumores, mas principalmente o câncer de intestino. Há também a polipose adenomatosa familiar, chamada de FAP. É uma doença em que os pacientes têm vários pólipos no cólon, no intestino (o exame de colonoscopia consegue detectar). Se esses pólipos não forem removidos, com o passar dos anos, vai virar câncer.
Tratamento
De acordo com a oncologista, o tratamento é considerado cirúrgico, para se ter o melhor potencial de cura. Ela pontua que, nos casos iniciais, a cirurgia resolve, exceto se forem os cânceres que já estão no finalzinho do intestino, no reto médio e baixo. “Se não for muito inicial, começamos com quimioterapia e radioterapia antes da cirurgia. Alguns tipos de metástase de câncer de intestino, principalmente no fígado e peritônio, têm potencial de cura se for possível retirar tudo na cirurgia. Todo paciente metastático vai fazer quimioterapia para diminuir um pouco o volume da doença, controlar essa disseminação e depois operar para tirar tudo que sobrou”, esclarece.

A médica enfatiza que a metástase no fígado e no peritônio do câncer de intestino, algumas também no pulmão, principalmente se for um foco só, tem chance de cura se for possível retirar tudo com a cirurgia.
