A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 30 milhões de brasileiros sofrem de enxaqueca. A doença afeta mais mulheres do que homens
Segundo o médico José Wilson Andrade, vice-presidente da Associação Pan-Americana de Medicina Canabinoide, toda dor sentida na região da cabeça, independentemente da causa, é chamada de cefaleia, podendo ocorrer desde a infância até a velhice. Ele diz que cerca de 95% da população brasileira já teve o problema pelo menos uma vez na vida.
Já a enxaqueca, de acordo com especialista, é uma dor de cabeça pulsátil ou latejante que atinge habitualmente um lado da cabeça, sendo acompanhada por náuseas, vômitos, sensibilidade a sons e luz. “Os gatilhos que desencadeiam as crises incluem, estresse, fome, alguns alimentos, como embutidos, vinho tinto e café, privação de sono, sendo variáveis em cada paciente”, aponta.
A causa é a hiperexcitabilidade neuronal — excesso de atividade elétrica no cérebro que, ao acometer o nervo trigêmeo, um nervo craniano, provoca alterações inflamatórias vasculares no cérebro que levam à dor. José Wilson reforça que a primeira recomendação para quem sofre com a enxaqueca é evitar ao máximo os possíveis fatores desencadeantes da dor de cabeça. “Estilo de vida mais saudável também pode auxiliar no tratamento e prevenir as dores ao aumentar a resistência do corpo. Pratique exercícios físicos regularmente, mantenha o corpo hidratado e invista em uma boa alimentação”, orienta.
Cannabis Medicinal e a enxaqueca
Conforme o médico, um estudo feito por Ethan Russo, uma das maiores autoridades no mundo quando falamos de sistema endocanabinoide, correlacionou a enxaqueca com o funcionamento anormal do sistema endocanabinoide e definiu a deficiência clínica endocanabinoide. José Wilson destaca que foram observados níveis de anandamida (endocanabinoide), mais baixo nos pacientes com enxaqueca que na população sem o problema.

O médico ressalta que os resultados no tratamento com fitocanabinoides são muito eficazes, principalmente com o uso do THC, o tetrahidrocanabinol, que pode suplementar os baixos níveis de anandamida e tem potencial analgésico e antiemético. “O CBD age como anti-inflamatório e reduz a hiperexcitabilidade neuronal. A combinação de ambos é uma excelente opção terapêutica para os pacientes”, finaliza.
