Apesar de não ser maligno, o tumor pode causar sérios danos à visão, ao crescimento e ao desenvolvimento hormonal infantil
Raro, silencioso e perigoso. Assim pode ser descrito o craniofaringioma, um tipo de tumor cerebral benigno que costuma atingir crianças de até 10 anos. Segundo a oncopediatra Mariana Dórea (CRM-BA 23.959 e RQE 26.148), o craniofaringioma cresce na região suprasselar, próximo a estruturas importantes, como a hipófise, o hipotálamo, o terceiro ventrículo e o quiasma óptico. Embora não seja considerado cancerígeno, o tumor pode apresentar comportamento agressivo e provocar déficits para o paciente.
A especialista explica que a causa ainda não é totalmente compreendida. Porém, em 90% dos casos, o surgimento do tumor é esporádico, ou seja, sem relação hereditária. Algumas alterações genéticas, no entanto, podem aumentar o risco. Entre os sintomas mais comuns estão dores de cabeça, alterações visuais, puberdade precoce ou tardia, atraso no crescimento e diabetes insipidus – doença que faz com que o paciente sinta sede excessiva e apresente um aumento considerável nos seus níveis de produção de urina.

Diagnóstico e tratamento
Mariana comenta que o diagnóstico geralmente começa com a realização de uma ressonância magnética do crânio. Entretanto, ela ressalta que a confirmação é feita por meio de biópsia. De acordo com a especialista, o tratamento envolve cirurgia e radioterapia. Ela lembra que, até pouco tempo, uma alternativa eficaz era o uso do medicamento Alfainterferon, aplicado diretamente na parte cística do tumor por meio de um cateter chamado Omaya. “As respostas eram excelentes mas, infelizmente, a medicação deixou de ser produzida”, lamenta a médica.
