Especialista diz que o uso de substâncias químicas, doenças mentais não tratadas e estresse crônico estão entre os fatores que provocam o problema
O psiquiatra Danilo de Melo Gomes (CRM-GO 13.624 e RQE 12.082), membro titular da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), comenta que a dependência emocional frequentemente envolve uma intensa necessidade de aprovação, afeto e validação devido a várias razões. São elas:
Insegurança emocional: pessoas com dependência emocional podem ter dificuldade em se sentir seguras e valorizadas por si mesmas.
Experiências passadas: traumas, abandono ou rejeição podem levar a uma busca constante por aprovação e afeto.
Baixa autoestima: indivíduos com dependência emocional podem precisar de validação externa para se sentir dignos.
Medo de abandono: o medo de ser deixado ou rejeitado pode levar a uma necessidade intensa de aprovação.
Dificuldade em estabelecer limites: pessoas com dependência emocional podem ter dificuldade em definir e manter limites saudáveis.
Busca por completude: acreditar que alguém pode preencher a sensação de vazio emocional.
Fatores
De acordo com o especialista, os fatores que provocam a dependência emocional podem ser variados, complexos e multifacetados. “Identificar os fatores subjacentes é fundamental para desenvolver estratégias eficazes de superação”, aponta. Danilo lista alguns dos principais, que estão divididos em:
Fatores infantis: abandono ou rejeição parental; maus tratos físicos ou emocionais; negligência emocional e modelos de relacionamento disfuncionais.
Fatores psicológicos: baixa autoestima; insegurança emocional; medo de abandono; dificuldade em estabelecer limites e tendência a idealizar relacionamentos.
Fatores sociais: pressão social para manter relacionamentos; isolamento social; falta de apoio emocional de amigos e família; cultura que valoriza relacionamentos românticos.
Fatores traumáticos: trauma emocional ou físico; perda de entes queridos e experiências de violência.
Fatores de personalidade: tendência a codependência; personalidade ansiosa ou depressiva e dificuldade em lidar com emoções.
Fatores de relacionamento: relacionamentos tóxicos ou abusivos; relacionamentos que reforçam a dependência e falta de comunicação eficaz.

Quadro clínico de um dependente emocional
O especialista cita algumas características do dependente emocional, no entanto, segundo o médico, é importante notar que a pessoa pode apresentar sintomas de outras condições, como transtorno de ansiedade, depressão ou transtorno de personalidade.
Sintomas emocionais: ansiedade intensa quando separado do parceiro; medo de abandono; sentimento de vazio emocional; depressão; irritabilidade e sensação de desamparo.
Comportamentos: busca constante de aprovação e validação; tendência a se submeter às necessidades do parceiro; dificuldade em estabelecer limites; comportamento de “salvador” ou “cuidador”; tendência a ignorar os próprios sentimentos e necessidades.
Relacionamentos: relacionamentos intensos e possessivos; dificuldade em manter relacionamentos saudáveis; tendência a atrair parceiros manipuladores ou abusivos; medo de estar sozinho.
Autoestima: baixa autoestima; dificuldade em se valorizar; sentimento de não ser digno de amor.
Outros sintomas: dificuldade em tomar decisões; sentimento de culpa ou vergonha; problemas de sono ou alimentação; uso de substâncias químicas para lidar com emoções.
Fase de idealização: tudo parece perfeito.
Fase de desilusão: começa a perceber problemas.
Fase de ansiedade: medo de perder o parceiro.
Fase de desamparo: sentimento de não ter controle.
Diagnóstico
Conforme Danilo, a dependência emocional não é um diagnóstico oficial no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) ou na Classificação Internacional de Doenças (CID-10). Entretanto, é um conceito clínico reconhecido e amplamente utilizado, que requer atenção e tratamento.
Desafios no diagnóstico: sobrepõe-se com outros transtornos, como ansiedade, depressão, transtorno de personalidade; não há critérios diagnósticos claros; pode ser confundido com outros conceitos, como codependência; requer avaliação detalhada da história relacional e emocional do indivíduo.
Instrumentos de avaliação: entrevista clínica detalhada; questionários específicos (e.g., Dependência Emocional Escala); avaliação de relacionamentos passados.
Profissionais capacitados para diagnosticar: psicólogos clínicos; psiquiatras e terapeutas de casal e família.
Importância do diagnóstico: orienta o tratamento; ajuda a entender os padrões relacionais e emocionais; possibilita desenvolver estratégias de intervenção.
